• Entrevista sobre a Política de Acesso Aberto proposta pela Agência Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (ANID), Chile.

LA Referencia conversou com Patricia Muñoz, responsável pelo Programa de Informação Científica da Agência Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (ANID), do Chile, para conhecer o trabalho que esta entidade está realizando para que o país implemente, a partir de 2020, a Política de Acesso Aberto à Informação Científica e Dados de Pesquisa.

Muñoz destacou que o trabalho sobre a Política de Acesso Aberto está em andamento há mais de 10 anos, especificamente desde o momento em que o Chile realizou seu processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esta organização apontou ao país a necessidade de melhorar a acessibilidade aos dados científicos, especialmente aqueles gerados a partir de financiamento com fundos públicos.

A base para gerar a iniciativa foi desenvolvida a partir da antiga Comissão Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (CONICYT), instituição que acabou se tornando ANID.

Durante o processo que permitiu a criação da Política, a equipe de trabalho abordou as diferentes comunidades científicas e públicos interessados ​​para compreender a cultura existente em relação aos dados.

Muñoz comentou na entrevista que a Política ficou parada por um tempo, mas isso permitiu que o mundo avançasse na questão da ciência e dos dados abertos, o que possibilitou encontrar melhores soluções para desafios identificados há algum tempo: uso de plataformas, gestão de dados, entre outros. Especificou ainda que a LA Referencia tem desempenhado um papel importante no contexto da infraestrutura tecnológica, razão pela qual considera que a organização “tem uma grande presença na geração de competências técnicas e de serviços que nem todos os países possuem.”

Esta Política tem também como pano de fundo uma visão quase pessoal - parafraseando Muñoz Palma - e na qual se resume esta iniciativa: “o que é financiado com recursos públicos deve estar disponível para a geração de novos conhecimentos, para gerar competências, para acelerar processos de investigação. Neste sentido a Política responde a isso.”

De acordo com o documento escrito da Política, ela é definida em duas fases:

· Primeira Fase: segue o modelo Rota Verde. Os dados respondem aos princípios FAIR (em inglês: Findability, Accessibility, Interoperability and Resusability), ou seja: Findable, Accessible, Interoperable e Reusable. O objetivo é compilar, no prazo de dois anos, a informação de base necessária sobre a utilização da informação e dos dados, os custos associados à sua gestão e as despesas incorridas pelos investigadores na publicação.

· Segunda fase: neste momento procuraremos implementar aRota Dourada, onde os períodos de embargo da Rota Verde seriam eliminados e as publicações seriam disponibilizadas em acesso aberto imediatamente.

Por fim, Muñoz deixou claro que esta iniciativa apresenta desafios e explicou que “esta é uma mudança que está de acordo com os tempos, sim, mas é uma mudança cultural para muitos.”

Aqui você encontra o resumo da entrevista realizada